"Tolerar a injustiça é relativamente aceitável, condenável é a intolerância da justiça". Leandro Francisco
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quinta-feira, 7 de abril de 2011

Ficha Limpa e os Mau Lavados



Por maioria de votos, e contrariando o entendimento do Superior Tribunal Eleitoral, os ministros do STF conseguiram limpar a ficha de políticos considerados impróprios para disputar uma eleição e consequentemente para ocupar um cargo público.
Fazer o quê? É prerrogativa do STF contrariar o entendimento de todas as outras instâncias da Justiça, e ir de encontro, inclusive, ao senso comum e a vontade popular, que fez nascer a irretocável LEI DA FICHA LIMPA.
O voto do recém-chegado Luiz Fux pôs fim a uma novela jurídica que se arrastou por tempo demais e que vinha causando uma série de prejuízos para toda nação.
O fato é que pouco adianta lutar por leis que garantam eleições limpas, se a maioria do eleitorado ainda não exige a honestidade como pré-requisito para que os políticos possam merecer o seu voto.
Mas, a consciência desses valores não se consegue da noite para o dia, nem por meio de imposição legal ou judicial.
Apesar da decisão do Supremo, a Lei da Ficha Limpa não perdeu seu brilho nem perderá o seu poder de atuação – assim espero.
É uma arma que os brasileiros honestos têm para fechar as portas da democracia aos políticos sem moral e sem comprometimento com a população.
Agora, com a decisão de ontem do Supremo Tribunal Federal, deputados, senadores e governadores que obtiveram maioria de votos, mesmo tendo os registros indeferidos pela Justiça eleitoral, poderão tomar posse de seus mandatos.
Mas, que não se enganem nem os sujos nem os mau lavados: a Justiça reconheceu que a Lei da Ficha limpa não poderia ser aplicada nas eleições de 2010, mas não apagou os erros cometidos pelos vencedores desse embate jurídico-eleitoral.

Fonte:  Blog de R

quinta-feira, 17 de março de 2011

Feliz Brasil Novo (de Raquel Sheherazade)


Feliz Brasil novo!



Para uns ela é ingrata e chega depressa demais. Eu acho que ela até demorou muito... Mas, antes tarde do que nunca! Finalmente é Quarta-feira de Cinzas.
Agora sim, três meses depois do Reveillon, o ano, de fato, vai começar.
Agora que as fantasias se rasgaram;
Que os trios e batucadas se calaram;
Agora que a maquiagem manchou,
as máscaras caíram e a folia terminou;
Agora que o efeito enebriante do carnaval já passou... é hora de viver a vida real, por que o País das Maravilhas só existe mesmo na literatura de Lewis Carroll....o autor de Alice.
Agora sim, é hora de encarar o novo irrisório salário mínimo.
Hora de prestar contas com cada o vez mais faminto leão da receita.
É hora de acompanhar, no Supremo, o julgamento da validade da Lei da Ficha Limpa e do fim das pensões vitalícias para os ex-governdores.
É hora de cobrar, da Justiça, punição para os envolvidos no escândalo do Mensalão. Alguém ainda se lembra?
Agora é hora de exigir, do Congresso, a votação da tão adiada reforma política.
É hora de estimular a economia, diminuir as diferenças sociais, combater o crime, a impunidade, os desmandos, os privilégios, a miséria física e moral do nosso país... e olha que não é a Mulher Maravilha quem vai fazer isso não...
Agora que o carnaval passou, que tal tentarmos fazer desta Nação, o país da verdadeira alegria? Alegria que não dure apenas cinco dias, mas que perdure o ano inteiro e possa alcançar a todos os brasileiros - indistintamente.
Por que dependendo do nosso grau de comprometimento ou de omissão, o futuro deste país poderá ser de riso ou de lamento.
E se cada brasileiro tomar para si a responsabilidade e o dever de zelar por este país, quem sabe no ano que vem nós tenhamos, de fato, um motivo real para celebrar o carnaval?

domingo, 6 de março de 2011

Fantasia para mascarar a dura realidade!



Pão e Circo para que o povo esqueça, por poucos dias, o descaso do governo, entre outros infortunios!

Reportagem de Raquel Sherazade, divulgada no site YouTube!

Esperando a quarta-feira de Cinzas


Hoje é quarta-feira de fogo, mas eu não vejo a hora de chegar a quarta-feira de cinzas.
Não, não é que eu seja inimiga do carnaval. Inclusive já brinquei muito: em clubes, nas prévias, nos blocos.... fui até à Olinda em plena terça-feira de carnaval... Portanto, vou falar com conhecimento de causa.
E, como um véu que se descortina, como uma máscara que cai, gostaria de revelar algumas verdades que encontrei por trás da fantasia do carnaval.

A primeira delas: o brasileiro adora carnaval.
Não acredito. Na paraíba, por exemplo, o maior bloco de arrasto disse ter registrado cerca de 400 mil foliões no desfile do ano passado. Mas, a população paraibana conta com mais de 3 milhões e 600 mil cidadãos.
Portanto, a maioria da povo não foi para a rua ou por que não gosta de carnaval ou por que não se reconhece mais nessa festa dita popular.
Segunda falsa verdade: o carnaval é uma festa genuinamente brasileira.
Não, não é. O carnaval, tal como o conhecemos, surgiu na Europa, durante a era vitoriana, e se espalhou pelo mundo afora, adaptando-se a outras culturas.
Quarta falsa verdade: É uma festa popular.
Balela! O carnaval virou negócio – dos ricos. Que o digam os camarotes VIP, as festas privadas e os abadás caríssimos, chamados "passaportes da alegria".
E quem não tem dinheiro para comprar aquele roupinha colorida não tem, também, o direito de ser feliz??? Tem não.
E aqui, na Paraíba, onde se comemoram as prévias não é muito diferente. A maioria dos blocos vive às custas do poder público e nenhuma atração sobe em um trio elétrico para divertir o povo só por ser, o carnaval, uma festa democrática.
Milhões de reais são pagos a artistas da terra e fora dela para garantir o circo a uma população miserável que não tem sequer o pão na mesa.
Muitas coisas, hoje, me revoltam no carnaval.
Uma delas é ouvir a boa música ser calada à força por "hits" do momento como o "Melô da Mulher Maravilha", e similares que eu nem ouso citar.
Fico indignada quando vejo a quantidade de ambulâncias disponibilizadas num desfile de carnaval para atender aos bêbados de plantão e valentões que se metem em brigas e quebra quebra.
Onde estão essas mesmas ambulâncias quando uma mãe de família precisa socorrer um filho doente? Quando um trabalhador está infartando? Quando um idoso no interior precisa se deslocar de cidade para se submeter a um exame?
Me revolto em ver que os policiais estão em peso nas festas para garantir a ordem durante o carnaval, e, no dia a dia, falta segurança para o cidadão de bem exercitar o direito de ir e vir.
Mas o carnaval é uma festa maravilhosa! Dizem até que faz girar a economia. Que os pequenos comerciantes conseguem vender suas latinhas, seu churrasquinho....
Se esses pais de família dependessem do carnaval para vender e viver, passariam o resto do ano à míngua.
Carnaval só dá lucro para donos de cervejaria, para proprietários de trios elétricos e uns poucos artistas baianos. No mais, é só prejuízo.
Alguém já parou para calcular o quanto o estado gasta para socorrer vítimas de acidentes causados por foliões embriagados? Quantos milhões são pagos em indenizações por morte ou invalidez decorrentes desses acidentes?
Quanto o poder público desembolsa com os procedimentos de curetagem que muitas jovens se submetem depois de um carnaval sem proteção que gerou uma gravidez indesejada?
Isso sem falar na quantidade de DST’s que são transmitidas durante a festa em que tudo é permitido!
Eu até acho que o carnaval já foi bom... Mas, isso foi nos tempos de outrora