"Tolerar a injustiça é relativamente aceitável, condenável é a intolerância da justiça". Leandro Francisco
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segunda-feira, 30 de maio de 2011

Azul terá voos para Juiz de Fora (MG) e Paulo Afonso (BA)

A Azul segue firme em sua marcha rumo ao interior do Brasil e solicitou autorização à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac ) para operar dois novos destinos: Juiz de Fora (MG) e Paulo Afonso (BA). Se aprovados, os voos serão realizados desde o aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), principal centro de operações da empresa.
O vôo para Paulo Afonso será operado às segundas, sextas e sábados, sempre com escala em Salvador. As operações estão previstas para serem realizadas a partir de 15 de agosto com os modernos jatos Embraer.
Paulo Afonso tem uma posição privilegiada, limitando-se ao sul com Sergipe e a leste com o Rio São Francisco e Alagoas. Trata-se do quarto destino da Azul para o estado baiano, ao lado de Salvador, Porto Seguro e Ilhéus, e o único de uma companhia aérea brasileira que atenderá o destino.
Já a rota de Juiz de Fora será operada com turbo-hélices ATR e terá dois voos diretos por dia, saindo de Campinas às 12h36 e 20h49 e do aeroporto da Zona da Mata, que serve a cidade mineira, às 6h20 e 14h35. A previsão é que o serviço comece no dia 4 de agosto. Juiz de Fora é a quarta maior cidade de Minas, com 517 mil habitantes, e fica a 283 km de Belo Horizonte.
Com os dois voos, a Azul mantém sua política de mirar não apenas os trechos entre capitais, mas também a aviação regional, mesclando os jatos da Embraer com os turbo hélices – a mesma tática aliás, da concorrente Trip. Vale lembrar que a empresa oferece ligação direta entre Campinas e vários pontos da cidade de São Paulo, incluindo o aeroporto do Congonhas, por meio de ônibus executivos gratuitos.
Mais informações no site da Azul

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Novela sem fim

Ainda em Paulo Afonso

 

Pe. Celso e Concursados participam da sessão da câmara desta terça (26)

 
A Câmara Municipal de Paulo Afonso realizará nesta terça-feira, 26 de abril, às 19h, mais uma sessão ordinária. Na oportunidade, o presidente da ACONPAR - associação dos concursados de Paulo Afonso e região - Luis do Nascimento Junior irá usar a tribuna para discutir assuntos relacionados a convocação dos aprovados no concurso público do município realizado em 2008.
O Padre Celso Anunciação, da Paróquia São Francisco, também estará presente a sessão onde fará uma explanação sobre o Centenário de Maria Bonita.

Fonte: CMPA; Blog de Ozildo Alves

COMENTÁRIO

Não se consegue entender o que realmente está por trás desse concurso.
Tudo transcorreu dentro da legalidade, com o devido acompanhamento, principalmente jurídico.
É um absurdo, o que a gestão do atual prefeito, Amilton Barros, tem feito para que os concursados aprovados, não tomem posse.
Não são poucos os que tiveram verdadeira reviravolta em sua vida.
Enquanto isso, os cargos, estão sendo ocupados por pessoas contratadas terceirizadas, ou mesmo se utilizando dos CCs.
Parece novela sem fim onde o vilão é a gestão da Prefeitura Municipal de Paulo Afonso

Porque as pessoas, não conseguemcreditar o fracasso a si mesmo?

Em Paulo Afonso

Regivaldo: "O prefeito tenta creditar o fracasso de sua gestão à câmara municipal"

Regivaldo Coriolano (PCdoB) em tom de desabafo, também utilizou alguns minutos do seu pronunciamento para mandar um recado a alguns veículos de comunicação de Paulo Afonso.
Por Geraldo Alves
 
Na noite de ontem (26), em mais uma sessão ordinária de câmara municipal de vereadores, o presidente da casa legislativa, vereador Regivaldo Coriolano (PCdoB) em tom de desabafo, utilizou alguns minutos do seu pronunciamento para mandar um recado a alguns veículos de comunicação de Paulo Afonso, e mais, deixou claro o compromisso da bancada de oposição com o município, ressaltou ainda que a bancada governista, mesmo se tratando de uma sessão com importantes projetos da prefeitura a serem colocados em votação, não se fez presente.
Regivaldo elevou o tom um pouco mais, disse que o governo municipal, ou seja, o prefeito e seus seguidores tentam creditar o fracasso de sua gestão, à câmara municipal. "Uma coisa é certa, aqui se faz oposição respeitando os poderes e é esse mesmo respeito que queremos, seja por parte do poder executivo, seja por parte dos órgãos de imprensa".
Regivaldo falou ainda do projeto para remuneração de estágios que o prefeito encaminhou em junho de 2010, visando apenas beneficiar "apadrinhados" seus, deixando de fora os convênios para estágios curriculares. Finalizou.

Fonte: jornalgentejovem.blogspot.com

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Redes de saúde oferecem consultas e exames a preços populares

Clínicas e laboratórios descobriram uma nova clientela, que paga menos pelos serviços, mas faz questão de pagar em dia.


Algumas empresas estão lançando serviços médicos mais baratos para quem não tem plano de saúde. Parece que o negócio deu lucro e está dando certo, porque o índice de inadimplência é muito pequeno. Grandes e tradicionais empresas de saúde estão se popularizando, oferecendo serviços mais baratos. Associações de classe, como sindicatos, também estão oferecendo opções de atendimento mais barato.

Ouvir o coração do sobrinho Davi e ainda ver o rostinho dele só foi possível, porque uma amiga deu a dica para a secretária Adriana Gomes. Desempregada e sem plano de saúde, ela não teria condições de fazer tantos exames. “Gostei do serviço e agora estou com eles direto. O Davi agradece”, diz Adriana.

Um rede de laboratórios que atende em São Paulo, no Paraná, no Rio de Janeiro e em Brasília oferece três mil tipos de exames com preços reduzidos, do mais sofisticado ao simples. Tudo é bem mais barato nessa rede. O hemograma, por exemplo, custa R$ 8. O preço de mercado é de R$ 80 até R$ 90.

A tomografia de crânio no lugar é R$ 260, quando em média se cobra entre R$ 500 e R$ 1 mil. Tanta diferença tem motivo: atrair brasileiros que até então nem sonhavam em fazer exames na rede particular. As associações, empresas que estão abrindo as portas para esse público, também estão satisfeitas demais. É uma clientela que faz questão de pagar tudo certinho e em dia. Inadimplência é coisa rara

“Não temos 5% de inadimplência em nossas carteiras”, conta Cristina Kuwahara, coordenadora da rede.
Depois de muita dor de dente e vários orçamentos caríssimos, a representante de vendas Rosana Carneiros descobriu na internet o trabalho da Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas (APCD). O atendimento é só para pessoas com renda familiar de até quatro salários-mínimos e foi a salvação. “Eu estou pagando R$ 60 por dois canais”, aponta Rosana.

Quem senta na cadeira pode fazer todo tipo de tratamento odontológico. Dor só na boca. No bolso, não. “O desconto vai até 20% do que é cobrado no mercado e o pagamento ainda é facilitado em até 15 vezes”, acrescenta Artur Cerri, diretor da APCD.

“Tem de cuidar dos dentes, é o principal. Sorriso é tudo. É o nosso cartão de visita, ri o gari David de Jesus.

As universidades também costumam oferecer serviços gratuitos ou com preços bem populares. Há serviços de saúde, atendimento jurídico, psicológico e até veterinário. O problema é que normalmente a procura por esses serviços é grande e eles costumam ter fila de espera, mas vale a pena se informar a respeito.

Fonte: G1


Enquanto isso, em Paulo Afonso-BA, a prefeitura fecha a maternidade no bairro do BTN.
Incrivel! Inacreditável!

sexta-feira, 25 de março de 2011

A saúde no municipio de Paulo Afonso!

Espaço do Leitor: Jovem é vítima do descaso da saúde e morre no Nair Alves de Souza
“Chico, a saúde em Paulo Afonso vai de mal a pior. Ontem (22/03) perdemos nossa querida colega Roselma Cerqueira, funcionária da Justiça do Trabalho aqui de Paulo Afonso e aluna do 7º período do curso de direito da FASETE.
A gravidez dela era de risco, pois a mesma já tinha tido uma pré-eclâmpsia na gestação anterior, portanto, não poderia jamais ser forçada a ter parto normal. Além de ter sofrido hemorragia e ser necessário tomar sangue, ela recebeu alta no domingo do hospital HNAS, quer dizer, pura negligência, pois a mesma precisaria passar por cuidados especiais por já ter um histórico de pré-eclâmpsia.
Chegando em casa continuou fraca, mas conseguia se movimentar e por volta das 21 horas passou mal: começou a ficar dormente e embolar a língua. Chamaram o SAMU que só veio aparecer 40 minutos depois e a levaram para o HNAS de novo. Ela veio a falecer ontem (22/03) pela manhã.
Quanta falta nos faz uma U.T.I, mas mais falta ainda são médicos competentes e responsáveis, pois os que temos a maioria brinca com a vida humana. Roselma se foi, mas antes teve que passar por todo esse sofrimento. Quanta negligência com a vida humana. Falta Deus nos corações desses profissionais da saúde.”
Fonte: Da Redação ChicoSabeTudo

Este é mais um fato, mas que deixa marca profunda na familia diante de uma perda irreparavel.
Minhas condolências a família Cerqueira!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Paulo Afonso - uma Justiça demorada, desumana!

Ao olhar para o Estado da Bahia, deparo-me com uma Justiça que não é Justiça, porque é demorada, e por demais desumanas, na medida em que essa demora atinge principalmente os desafetos dos juízes.
Alguns juízes se confundem com o ditado popular que "os juízes pensam que são deuses, os desembargadores têm certeza disso". À exemplo disso, a população pauloafonsina conhece um juiz que no mínimo, pensa e age como se fosse o próprio deus (com letra minúscula, pois não se pode comparar Deus, que esse ser tão ínfimo).
O processo que cai na Vara, da qual é titular, e dependendo do contexto, pode levar anos para ter ser sentenciado. Se eu for enumerar aqui, os processos dos quais tenho conhecimento, passaria dias e noites.
Conheço casos e mais casos, contados pelos próprios protagonistas (partes interessadas do processo), como de inventários que o defunto virou pó, e a viúva, só não come de favor, porque tem amizades que tentam suprir suas necessidades, oferecendo emprego. Enquanto isso corre as soltas, que a outra parte interessada, está sempre a presentear "pessoas" envolvidas no processo.
Quem já não ouviu falar do caso da indenização da CHESF, para os assentados, que não saiu das mãos do casal que recebeu o dinheiro para repasse? Deus me livre de falar que devido ao favoritismo, “pessoas” realizaram alguns passeios turísticos.
Tem um caso bem peculiar de uma funcionaria de um dos cartórios localizado no Fórum, que foi altamente prejudicada no recebimento de sua pensão (matéria de Direito, mas, que não foi levada em consideração).
Em compensação, existem processos deferidos como os comprimidos efervescentes da alka seltzer, como o de uma recuperação judicial.
O pior é que quando o juiz, nada mais do que a sua obrigação, as pessoas parabenizam.
O que é isso? Então, ser honesto, e cumprir com as obrigações, não tirar proveito de situações, não usar o prestigio da envergadura da toga para beneficio próprio é algo diferente que se deva enaltecer?
Claro que não. Se o gari tem por obrigação recolher o lixo todos os dias pela manhã, das 5 às 6 horas, e ele cumpre direitinho a atividade da sua função, tal gesto nada tem de extraordinário, apenas ele está cumprindo o seu dever.
Assim, não se deve encarar como sendo um fato extraordinário, um juiz que tão somente porque está cumprindo com o seu dever, isto é, suas sentenças, são atos normais advindos dos deveres de um juiz.
O fato é que nos cartórios da Justiça Estadual da Comarca de Paulo Afonso, dormitam nos armários processos conclusos para sentença, a espera da boa vontade do juiz, que não as proferem.
Pergunto-me se há como sensibilizar as pessoas para que façam o seu trabalho, sem impor uma pena.
Isso me preocupa bastante, porque carrego dentro de mim, e vejo em muitos, o descrédito para com a justiça.
Ocorre que o juiz esquece que com a sentença, não está tudo resolvido, ainda se tem por enfrentar, novos e demorados caminhos processuais até a final da plena pretensão.
Apesar de saber que existe um déficit grande de juízes e de funcionários, infelizmente devo dizer que se os que se tem, trabalhassem de verdade, a morosidade seria num índice menor.
Porque o Fórum, não faz parceria com a faculdade de Direito? A faculdade oferece os estagiários, que poderão auxiliar no andamento dos processos, e o Fórum por sua vez, oferece a oportunidade de se adquirir experiência na área jurídica.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Liberdade de Imprensa - O desequilibrio da balança


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Foto: Divulgação

"Agora, a justiça protege, com excesso, um Juiz "

"A liberdade de imprensa vem sendo discutida intensamente no país nos últimos tempos. Outro dia escrevi artigo sobre o assunto aqui mesmo. Nele coloco a minha preocupação com a forma como usam a liberdade de imprensa em sites, jornais, revistas e emissoras de rádio em nossa cidade.
A liberdade de informação e de emitir opinião é um direito do cidadão e isso não pode e não deve lhe ser negado.
Aqui em Paulo Afonso, muitas vezes o direito de informar e de opinar sofreu distorções. Lembro-me que desde que existe e por muitos e muitos anos a RBN (Rádio Bahia Nordeste), vinculada diretamente a um grupo político local liderado por um dos seus sócios, Deputado Luiz Barbosa de Deus, exerceu sob o guarda-chuva da liberdade de imprensa, o maior massacre já visto e ouvido nesta cidade contra um cidadão e político, adversário do seu proprietário, que era quase que diariamente achincalhado pelos locutores daquela emissora. Tivesse ele ou não relação com o fato abordado nos programas, achava-se sempre uma maneira para falar mal do ex-prefeito e ex-vereador José Ivaldo. Esse bombardeio incessante durou desde a fundação da emissora até o ano de 2008.
Durante todos esses anos, quem ousou enfrentar o grupo político ligado a RBN, recebia como respostas ataques da emissora, sob a batuta de J. Matos, sócio gerente da rádio. Acusavam, caluniavam, difamavam, crucificavam fosse quem fosse. A sanha era tamanha que um dia a artilharia ofensiva da rádio virou-se contra o seu criador e bateu sem pena no deputado e em toda a sua família.
Durante o mandato de Raimundo Caires, de janeiro de 2005 a dezembro de 2009, foram feitos mais de 150 pedidos de direito de resposta. Lembro-me apenas de um que foi concluído: exatamente uma das ações movidas pelo ex-Prefeito Zé Ivaldo, em que a RBN foi condenada a pagar indenização por danos morais. As demais repousam em alguma gaveta, à espera de serem redescobertas.
Já disse antes e repito agora: acho que nos sites e nas emissoras de rádio têm que se ter o cuidado de exigir identificação nos comentários dos ouvintes/internautas, pois quem quer ter o direito de se expressar tem que ter a coragem de fazê-lo publicamente. Ofender a honra das pessoas sob o manto do anonimato não passa de um ato de covardia. Quem quer fazer jornalismo de verdade, e quer ter o direito de informar e de opinar, deve ter como sagrado dar o direito de resposta a quem se sentir ofendido, além de tomar o devido cuidado com a veracidade da informação que recebe e passa adiante. A liberdade de expressão é uma conquista e exige responsabilidade. Não pode, não deve passar mentiras adiante.
Depois da exposição do meu ponto de vista, quero aqui lamentar profundamente a decisão da justiça de Paulo Afonso de mandar retirar do ar de sites e blogs da cidade noticia que trata de caso onde Dr. Rosalino dos Santos Almeida Juiz desta comarca é acusado pelo ex-prefeito de Glória – BA, Ademir Vieira Barros. Ao que consta, o fato fora colhido de despacho da desembargadora Ivete Caldas Silva Freitas, datado de 21 de julho do corrente ano, situação em que, a partir da publicação do despacho, passou a ser de domínio público e, portanto, poderia e deveria ser noticiado como o foi, inclusive na imprensa da capital.
A ação da justiça deveria ter se limitado a determinar a retirada dos comentários anônimos. Não havia também a necessidade da retirada da foto do magistrado dos sites, já que o teor da matéria não ofende a honra do juiz, apenas relata um episódio em que ele é acusado, em processo que ainda está em andamento.
Muita gente tem sido vitima de desrespeito na imprensa aqui em Paulo Afonso, seja através de comentários em sites ou em programas de rádio, sem que a justiça se pronuncie. Agora, a justiça protege, com excesso, a pessoa de um Juiz. Talvez ao invés de uma medida isolada, o correto fosse agir para impedir que a covardia continue a ocorrer. Ficava mais bonito, não tolheria a liberdade de imprensa e não geraria suspeitas de favorecimento a “A” ou “B”."

À beira de um ataque de nervos (Arquivo da Revista Veja

Reportagem de Arquivo da Revista VEJA

Em, 26 de fevereiro de 1997, a revista VEJA exibiu a reportagem abaixo.
À beira de um ataque de nervos

As pressões da vida moderna deixam os brasileiros cada vez mais tensos e exaustos.
Nos oito meses em que trabalhou na defesa de Guilherme de Pádua, assassino da atriz Daniella Perez, o advogado carioca Paulo Ramalho viveu os piores dias de sua vida. Ao caminhar na rua, era abordado por pessoas que o xingavam e ameaçavam. 'De repente, sem motivo nenhum, meu cabelo começou a cair, aos tufos. Fiquei com medo, pensei que estivesse com câncer', recorda ele. Ramalho, que alguns anos atrás havia 'apagado' por dois dias, vítima de um distúrbio neurovegetativo, assustou-se e foi correndo consultar um médico. O diagnóstico foi lúpus eritematoso, uma doença incurável e de fundo psicológico, que afeta também o couro cabeludo. A causa identificada: stress. Na semana do julgamento, Ramalho não conseguia dormir e, se por sorte pegava no sono durante uma ou duas horas, sonhava com fogueiras, linchamentos e acordava suando frio. Mesmo depois do julgamento, em que conseguiu uma vitória moral - uma condenação abaixo da pena máxima para seu cliente problemático -, ele só voltou a dormir quatro dias depois.
Como Ramalho, milhões de brasileiros passam os dias duelando com o stress, aprisionados em engarrafamentos de trânsito, encarcerados em apartamentos com fechaduras de segurança e angustiados em empregos que não sabem por quanto tempo serão capazes de manter. O stress, definido pela Organização Mundial de Saúde como 'uma epidemia global', é também uma obsessão nacional. Um estudo da Pontifícia Universidade Católica, PUC, de Campinas, que examinou 1 800 pessoas no Aeroporto de Congonhas, num grande edifício do centro de São Paulo e na sede de uma empresa multinacional, mostrou que 32% delas apresentavam sintomas de stress em nível suficiente para merecer atenção médica. Na indústria farmacêutica brasileira, os dois remédios campeões de faturamento, Frontal e Lexotan, são calmantes benzodiazepínicos. Sua função original seria tratar vítimas de ansiedade e de síndrome do pânico. Mas, na prática, apenas 10% deles são de fato receitados por psiquiatras. A maior parte, prescrita por cardiologistas e clínicos-gerais, acaba sendo receitada a pessoas estressadas, da dona de casa que não agüenta mais o tédio das tarefas domésticas ao executivo que é perseguido pela exaustão constante devido ao acúmulo de trabalho. É isso mesmo: o excesso de tarefas e de responsabilidade bem como o vazio da vida produzem igualmente estressados, gente que anda o tempo todo com o sentimento de que a vida se tornou pesada demais. São as mulheres e os homens tensos e exaustos da sociedade moderna, um grupo que parece englobar quase todo mundo hoje em dia.

Tempo das cavernas - Até gente sentada na cadeira mais invejada do país, a do presidente da República, é vítima do problema. José Sarney ficava com o rosto vermelho e empipocado de tanta tensão quando estava no Palácio do Planalto. Fernando Collor de Mello emagreceu tanto, ficou tão encovado e doentio que correu o boato infundado de que estaria contaminado com o vírus da Aids. O mal de Collor era stress. Itamar Franco, todos se lembram, tinha faniquitos. Só com Fernando Henrique Cardoso o Brasil experimenta um presidente que parece feliz onde está. 'Sabe o que ele faz à noite?', comenta um amigo de FHC. 'Ele dorme!', completa esse amigo, sem esconder a inveja. Por essa estatística empírica entre os últimos presidentes, 75% deles sofrem de stress.
É natural que figuras muito expostas ao público sejam vítimas freqüentes do stress. O piloto Rubens Barrichello, que tem o preparo físico de um atleta olímpico, ainda não encontrou a fórmula para descarregar suas tensões. Desde a morte de Ayrton Senna, torcedores e jornalistas descarregaram sobre ele a responsabilidade de reconduzir o Brasil ao pódio da Fórmula 1. Com um carro ruim e pouca experiência, Rubinho não agüentou a barra. Tinha dificuldades para dormir nas noites que antecediam as provas, cansava-se facilmente e sofria de dores na coluna e nos maxilares, que travavam nos momentos de tensão. 'Não havia massagem que resolvesse as dores', lembra o piloto. Durante uma crise, chegou a brigar com a família e a se isolar durante um mês na Inglaterra. 'Eu não estava bem comigo, e não conseguia relacionar-me com as pessoas', diz. Desde então, conseguiu melhorar. Estréia em março em uma nova equipe, a Stewart, e está de casamento marcado para esta segunda-feira.
Na prefeitura de São Paulo, um relatório da Secretaria de Administração detectou que o número de licenças médicas concedidas a funcionários por stress e hipertensão ultrapassou a soma das licenças por acidente de trabalho, acidente de trânsito e acidente doméstico. Estudos da General Motors nos EUA indicam que a empresa gasta mais com despesas médicas e perda de produtividade causadas pelo stress do que com o aço que compra para seus automóveis. Juliet Schor, professora de economia de Harvard, explica que a espiral da fadiga se desenvolveu como uma bola-de-neve desde o tempo das cavernas, para chegar ao auge no período em que vivemos. O homem primitivo trabalhava apenas vinte horas por semana, caçando animais nas proximidades e colhendo frutos das árvores. Embora também estivesse sujeito ao stress - pelo medo dos predadores, das tempestades ou das tribos inimigas -, o número de agressões que sofria diariamente era mais reduzido.
Na Idade Média, ainda se trabalhava pouco. Os países europeus tinham o descanso de domingo como princípio sagrado e, de lambuja, cinqüenta feriados por ano. Durante séculos, a maior parte da humanidade dedicou-se apenas a trabalhos braçais, que sempre terminavam junto com o pôr-do-sol. Tudo isso acabou com a Revolução Industrial, que instituiu a carga horária de dezesseis horas diárias e aboliu a maioria dos feriados. No Brasil, onde tudo isso aconteceu com atraso, o choque do stress foi ainda mais violento. Na cultura colonial portuguesa, o ócio era elegante e o trabalho não passava de uma obrigação do escravo. Entrar na lógica da produção pesada e da concorrência capitalista foi um trauma. E no século XX, no curto espaço de duas gerações, a maioria da população do país abandonou o campo para viver no stress da cidade.
Os avanços da tecnologia no início do século haviam prometido facilitar a vida de todos. Economistas previam que na década de 90 os operários, felizardos, trabalhariam apenas três horas por dia. Mas as invenções que prometiam um mar de rosas escondiam um risco que hoje cobra seu preço. Os automóveis pouparam o trabalho de caminhar, mas criaram congestionamentos irritantes. O computador, que emperra no meio de uma operação, faz o homem civilizado enfurecer-se como um canibal. A vida tornou-se acelerada demais para o ritmo do corpo humano. 'A informática, o fax, o celular e os pagers deixam a pessoa ‘ligada’ no trabalho 24 horas por dia. É muito pior que trabalhar doze horas seguidas e depois ir para casa relaxar, como faziam os nossos avós', teoriza Paul Rosch, do American Institute of Stress. A pior inovação, porém, foi a descoberta de que a maneira de obter o melhor rendimento de uma pessoa é submetendo-a a um stress pesado. 'O trabalhador rende bem quando está submetido a um razoável stress, mas sua máxima produtividade é atingida quando ele, sem perceber, já passou do limite', explica a psicóloga Marilda Lipp, da PUC de Campinas. 'Sob tensão pesada, o ser humano rende maravilhosamente durante algum tempo. Depois, simplesmente capota.'

Sem férias - No ano passado, o técnico de basquete Ary Vidal, 61 anos, conseguiu o feito de levar o Corinthians de Santa Cruz do Sul duas vezes às finais do campeonato brasileiro. O esforço, porém, custou-lhe muito em saúde. Durante os jogos, ele notou que a irritação com os erros dos jogadores passou a vir acompanhada por sensações desagradáveis. Começou a sofrer de dores pelo corpo e, de tempo a tempo, tinha uma febre sem motivo aparente. Apesar da gravidade dos sintomas, ele não procurou um médico até que as dores se tornassem insuportáveis. 'Então, corri para fazer um check-up completo', diz ele. O médico, depois de fazer uma série de previsões cavernosas, ordenou a Vidal que tirasse férias imediatamente. O técnico consentiu e passou 45 dias de molho. Mas, no início do mês, estava novamente uma pilha. Durante um jogo duríssimo contra o Flamengo, quando um dos seus alas cometeu a quinta falta e foi eliminado da partida, Vidal irritou-se e quase agrediu o grandalhão. Passou-lhe tamanha descompostura que o jogador deixou a quadra em prantos. 'Sinceramente, não posso garantir que já tenha aprendido a lidar com o stress', reconhece o treinador.
O que faz o stress pesar especialmente sobre algumas pessoas não é apenas a carga de responsabilidade que carregam. A falta do hábito de delegar tarefas e a obsessão doentia pelo trabalho podem tornar o fardo ainda maior. Os advogados da cidade de Paulo Afonso, uma das maiores da Bahia, não se surpreendem mais quando o juiz da Vara Cível local suspende a audiência sem explicação aparente. Além dos processos civis do município, Rosalino dos Santos Almeida, de 46 anos, acumula jurisdição sobre outra comarca, a 13 quilômetros dali, e sobre a Justiça Eleitoral de cinco outros municípios. Em suas estantes ele contabiliza 5 000 processos à espera de julgamento. À beira de um ataque de nervos, Rosalino não se constrange mais em interromper o depoimento de uma testemunha para levantar da cadeira, lavar o rosto e tomar um pouco de ar.
'Estou com cinco anos de férias vencidas', lamenta o juiz, com a cabeça apoiada entre as mãos. Sofrendo de hipertensão arterial, tonturas e fadiga, ele toma remédios e tenta caminhar todos os dias para entrar em forma. O esforço não é suficiente. Na última vez que ousou relaxar, levando a família para passear na praia, sentiu-se mal e baixou no hospital com uma crise hipertensiva. 'As pessoas mais estressadas são aquelas que têm dificuldade em expressar sentimentos, tendem a explodir nos momentos de tensão, mas acabam fazendo um esforço para ser gentis e educadas. Muitas vezes, elas ficam com remorso pelo simples fato de tirar uma folga', explica a psicóloga Marilda Lipp. Mas, afinal de contas, como pode o stress ter tamanha influência sobre a saúde das pessoas?
O stress é um mecanismo primitivo e antiqüíssimo, engastado nas paredes das cavernas do sistema nervoso. É como um programa de computador velho, de pouca serventia, que ninguém se preocupou em apagar da memória do micro. O problema é que o corpo insiste em recorrer ao programa, mesmo que ele não sirva mais para resolver seus problemas atuais. O stress, utilíssimo na origem, surgiu como uma maneira de preparar o organismo para as situações de perigo na selva. Seu objetivo é deixar o corpo em condições de lutar ou fugir. Ele esquenta os motores da musculatura e, no cérebro, substitui a sensação de tranqüilidade por uma agitação nervosa. Sob o efeito do stress, as glândulas descarregam uma torrente de substâncias químicas no organismo para deixá-lo em ponto de bala. O cérebro, o pulmão, o estômago - tudo isso passa a funcionar em outro ritmo. A partir daí, estão criadas as condições orgânicas que, na vida selvagem, deixariam o indivíduo pronto para saltar sobre a jugular do oponente ou correr como um coelho assustado. Eram alternativas eficientes no tempo em que se podia cruzar com um tigre dentes-de-sabre pelo caminho. São opções inúteis diante dos sustos da vida moderna, como a namorada que telefona à 1 da manhã para 'discutir a relação' ou o gerente do banco que liga para falar de um cheque sem fundos.

Perdendo os dentes - Quando o stress é crônico, as substâncias que geram a reação de defesa acabam intoxicando o organismo. O estômago funciona como se estivesse prestes a digerir uma presa, liberando cachoeiras de suco gástrico e enzimas digestivas. Os ácidos estomacais, fortes o suficiente para fazer buraco num tapete, causam o quadro conhecido pelos gastroenterologistas como 'úlcera de stress'. A pressão arterial, que sobe drasticamente, leva os vasos sanguíneos a perder flexibilidade e endurecer, favorecendo a arteriosclerose. A balbúrdia provocada no organismo ainda pode favorecer o surgimento de diabete, derrames, depressão e até câncer. 'Não há dúvida de que existe relação entre o stress e as patologias diversas. O problema é delimitar até que ponto vai essa influência. Acho que tem havido exagero em estudos sobre o assunto', observa o psiquiatra Márcio Bernik, chefe do Laboratório de Ansiedade da Universidade de São Paulo.
A química do stress não é, em si, responsável pelas doenças. Ela reduz a resistência do organismo e favorece o aparecimento de enfermidades para as quais a pessoa tem alguma tendência genética. O empresário de Curitiba Marcio Bamberg, 41 anos, tinha má-formação nas raízes dos dentes, mas sem maiores problemas. Ao abandonar a sociedade que tinha numa empresa de consultoria em 1991, ele entrou em parafuso. Deprimido, passava os dias em casa, de pijama, sem coragem para procurar emprego. Perdeu 10 quilos. Dormia pouco, comia pouco, fumava muito. Quebrado, tinha de pedir dinheiro emprestado aos pais e ao sogro para sustentar a família. Finalmente, adquiriu o que os dentistas chamam de bruxismo. Durante o sono, ele rangia os dentes involuntariamente, de forma brutal. Em apenas dois meses, os dentes do empresário caíram inexoravelmente, um a um, até que restassem apenas dois caninos e dois pré-molares. 'Seus dentes eram frágeis, mas não teriam caído se ele recebesse o apoio psicológico adequado', diz o dentista Paulo Afonso Cunali, que o atendeu. Depois de dois anos de terapia, Bamberg recuperou-se, retomou sua carreira e, com sua nova empresa, fatura 60 000 reais por mês.
Na década de 20, o fisiologista austríaco Hans Seyle descobriu que pessoas e animais submetidos a desgaste físico e emocional desenvolviam um quadro de sintomas facilmente reconhecível. Eles iam de insônia e taquicardia a falta de apetite. A longo prazo, poderiam levar à morte. Para definir essa síndrome, Seyle tomou emprestado um termo usado na física para definir o desgaste de materiais submetidos a excesso de peso, calor ou radiação. A descoberta foi tão marcante que stress passou a ser empregado como sinônimo de tensão, nervosismo, depressão ou estafa. Virou doença. Tecnicamente, isso está errado. Stress é a reação do organismo à tensão - seja ela física ou psicológica -, e não significa necessariamente ameaça de infarto. Passada a situação de risco, o organismo tende a voltar ao seu equilíbrio original. O problema é o stress continuado, crônico.

Calos nas orelhas - Tensões acumuladas no dia-a-dia são a grande causa do stress contemporâneo. Quem não tem tempo para respirar fundo entre um problema e outro acaba sufocado. Certas profissões são reconhecidas como tão estressantes que o valor cobrado por suas apólices de seguro de vida é mais alto que entre as dos mortais comuns (veja quadro na pág. 98). O pregão da Bolsa de Valores de São Paulo, em que 480 operadores gritam, correm e se acotovelam sem parar todos os dias, é um bom laboratório para perceber esse tipo de situação. Ali, pessoas como o operador Wilson Luiz de Souza, 26 anos, passam o dia segurando telefones sem fio com os ombros, até criar calos nas orelhas. 'Ninguém se surpreendeu no dia em que passei mal no meio do leilão e tive de sair para tomar ar', recorda ele. Ali, poucos conseguem fortuna, mas o índice de úlcera é altíssimo.
No tempo em que era apenas um cardiologista, Adib Jatene atendeu o deputado Ulysses Guimarães. À época, este acumulava a presidência da Câmara dos Deputados, da Assembléia Constituinte e do PMDB. Ulysses perguntou se o excesso de trabalho não poderia afetar sua saúde. 'Trabalho não mata ninguém', retrucou Jatene. 'O que mata é a raiva.' A explicação parece simples demais, mas é verdadeira. As substâncias nocivas que o stress descarrega no sangue permanecem causando prejuízo durante o tempo em que as pessoas remoem suas frustrações. Estudos feitos em clínicas do Rio de Janeiro mostram que o número de infartos praticamente dobra às segundas-feiras, dia oficial da revolta contra o dever de sair da cama.

Morrer de trabalhar - 'Trabalhar não me incomoda. O problema é a sensação de não conseguir salvar a vida de todos os pacientes', afirma o médico gaúcho José Abruzzi Neto, 43 anos, plantonista no Hospital Conceição, o maior do Rio Grande do Sul. Ele trabalha numa sala com mais oito médicos que tentam dar conta de sessenta a 100 pacientes em estado grave. Sua carga horária chega a 72 horas semanais. 'Quando um paciente morre, fico prostrado, sem conseguir fazer mais nada', explica. Nessas situações, ele pede a um colega que assuma temporariamente seu posto e vai para um canto da sala até a revolta passar. Esses ingredientes - muito trabalho, muita frustração e muito senso do dever - são a receita de um fenômeno que, no Japão, recebeu o nome de karoshi (que significa 'morrer de tanto trabalhar'). Segundo médicos japoneses, 3 000 trabalhadores foram vítimas desse mal nos últimos cinco anos. Na semana passada, uma pesquisa publicada na Inglaterra indicou que os ataques do coração são mais freqüentes entre os trabalhadores que têm menos poder de decisão e mais obrigação de acatar ordens - independentemente do salário que ganhem e do prestígio social de seus cargos.
Nos últimos anos, a conexão mais discutida pelos cientistas tem sido a que une stress e câncer. 'Não tenho dúvida de  que existe uma relação, mas ainda não conseguimos entendê-la completamente', explica o psiquiatra americano Paul Rosch. Na semana passada o Instituto de Imunologia da Universidade de Witten, na Alemanha, divulgou o resultado de um estudo que, durante dez anos, acompanhou a vida de trinta mulheres que sofriam de câncer no seio. No início da pesquisa, todas elas tinham tumores em um estágio inicial, controlável. No final, quinze haviam sido curadas e não voltaram a desenvolver novos tumores. Seis outras alternaram períodos de regressão e evolução. E, em nove, a doença progrediu inexoravelmente até a morte. 'Percebemos que as mulheres curadas apresentavam uma atitude mais positiva e voluntariosa. Em compensação, oito das nove que faleceram eram as pacientes que apresentavam mais sintomas de ansiedade e stress', explica o médico Kurt Zanker, coordenador do estudo. Ele não sugere com isso que stress cause câncer, mas que 'o stress psicológico e a atitude negativa diante da doença são fatores que dificultam a cura'.
Os efeitos que as tensões da vida têm sobre cada pessoa variam. A tendência à depressão ou à ansiedade é genética, e o desgaste cotidiano cumpre o mero papel de detonador. Características da personalidade, como timidez ou irritabilidade, são congênitas. E a maneira pela qual cada pessoa reagirá diante da vida é determinada logo na infância. Ao chegar à idade adulta, cada pessoa tem seu limite físico e mental já determinado, como o limite de uma conta de cheque especial. As pressões da vida têm tanto peso como a maneira de cada um enfrentá-las. A empresária paulista Yara Baumgart, de 49 anos, encarava qualquer problema até que foi golpeada pela morte de seu irmão mais novo, de 30 anos, vítima de um infarto fulminante. 'Achei que tinha de ser forte para ajudar meus pais, e procurava até mesmo não chorar', recorda. Yara bem que tentou, mas de uma hora para outra passou a sofrer dores de cabeça tão fortes que não tinha forças para levantar da cama. Desesperada, visitou vários médicos e tratou-se com antibióticos. Nada. Até que um médico ortomolecular, na Suíça, deu o diagnóstico: stress. O desgaste emocional não havia apenas causado dores de cabeça, mas também reduzido seu sistema imunológico a frangalhos. Ela passou por um mês de tratamento com aplicação de soro enriquecido com remédios e nutrientes. Ao voltar para o Brasil, decidiu abrir uma clínica para tratar estressados.

Aftas e mais aftas - Para interromper o redemoinho do stress antes que ele ponha a saúde das pessoas em risco, pesquisadores estudaram centenas de estratégias nos últimos anos. Desenvolveram até máquinas para medir o stress (veja quadro na pág. 96). Os resultados mais eficientes não vieram de nenhum tratamento mirabolante, mas do bom, velho e nunca suficientemente elogiado exercício físico. Ele ajuda a descarregar a tensão acumulada durante o dia e estimula no organismo a produção de substâncias que contribuem para o relaxamento. 'O esporte salvou a minha vida', diz o economista Mailson da Nóbrega, de 54 anos, que durante 27 meses foi um dos homens com mais razão para ter stress em todo o país. No apagar das luzes do governo Sarney, como ministro da Fazenda, Mailson encarou uma inflação de 84,3% ao mês. Sofria de insônia. A boca começou a pipocar com aftas que não saravam de jeito nenhum. No auge da crise, o ministro não tinha sequer coragem de ler os jornais, porque tinha medo de passar mal. A inflação era o pesadelo comum de 150 milhões de pessoas. Elas pareciam estar olhando para Mailson e perguntando: e aí? Hoje, calejado, ele faz três check-ups anuais, pratica natação três vezes por semana, perdeu 8 quilos. 'Aprendi a me controlar', afirma.
Para enfrentar o stress, comprimidos, a solução favorita dos brasileiros, podem até ser usados em casos mais graves. Mas a unanimidade dos médicos e psicólogos considera que eles não são a melhor solução. 'A quantidade de pessoas que realmente precisam de tratamento químico é pequena', explica o psiquiatra Márcio Bernik. Pesquisas recentes mostram que tratamentos mais leves podem ter efeitos bem mais positivos. Exercícios de relaxamento, feitos religiosamente todos os dias, podem reduzir em até 30% o índice de complicações cardiovasculares em pacientes hipertensos. Descobriu-se que até a acupuntura e a meditação transcendental têm efeitos físicos concretos - melhorando a oxigenação do sangue e reduzindo a pressão arterial. E, melhor que tudo, uma vida regrada, sem excesso de trabalho, com exercícios físicos, repouso e lazer. Contra o stress, viver bem é a melhor arma.

(Copiado e colado) Reportagem disponível no site: http://veja.abril.com.br/arquivo_veja/capa_26021997.shtml