"Tolerar a injustiça é relativamente aceitável, condenável é a intolerância da justiça". Leandro Francisco
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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Renúncia de Mubarak é só o começo da transição no Egito, afirma Obama

Americano previu 'dias difíceis' para o país e pediu compromisso ao Exército.
Presidente egípcio deixou poder nesta sexta (11) após quase 30 anos.

Do G1, com agências internacionais
O presidente dos EUA, Barack Obama, disse nesta sexta-feira (11) que a renúncia do presidente do Egito, Hosni Mubarak, "é o começo, e não o fim" do processo de transição democrática no país.
"O povo do Egito falou, suas vozes foram ouvidas, e o país nunca mais será o mesmo", disse Obama.
"Renunciando, o presidente Mubarak respondeu à fome do povo egípcio por mudanças", disse Obama.
O americano afirmou que o povo mostrou que só vai aceitar uma "verdadeira democracia", e apelou ao Exército para que faça uma transição com credibilidade. O democrata também advertiu que o país terá "dias difíceis" pela frente.
Obama e o bloco europeu pressionaram pela saída de Mubarak, antigo aliado dos EUA na região.
O presidente americano inicialmente pediu uma "transição imediata", ou seja, a saída imediata de Mubarak, mas depois atenuou sua posição.
O presidente dos EUA, Barack Obama, fala sobre o Egito nesta sexta-feira (11) na Casa Branca (Foto: Reuters)O presidente dos EUA, Barack Obama, fala sobre o Egito nesta sexta-feira (11) na Casa Branca (Foto: Reuters)

Notícias do Mundo

Para Economist, Brasil tem que se acostumar com apagõesEm avaliação geral feita sobre a questão da energia elétrica no Brasil, a revista britânica Economist conclui em reportagem que o “blackout” é apenas a expressão de um problema ainda sem solução. De acordo com a revista, os brasileiros terão que se “acostumar com as ‘interrupções temporárias’ de energia toda vez que ligarem seus aparelhos de ar condicionado”. O artigo faz ainda ironia com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmando que, para ele, a palavra “apagão” (“blackout”, no original), está proibida. Ele prefere se referir ao caso como “interrupção temporária de energia”.


Mubarak não renuncia e multidão toma as ruas do Cairo Após o ditador egipício Horni Mubarak afirmar ontem que não renunciará do cargo, manifestantes egípicios voltaram a ocupar as ruas do Cairo. De acordo com reportagem do jornal americano New York Times, a declaração do presidente em rede nacional parece ter causado uma escalada na violência de uma das maiores manifestações da história do Egito. Segundo o jornal, manifestantes avisaram que os embates podem ser agravados hoje, quando organizadores planejam uma série de grandes marchas na praça Tahrir e em outros pontos chave do país.

Estratégia de saída buscou evitar humilhação, diz embaixador brasileiro

Cesário Melantonio, embaixador no Egito, falou da queda de Mubarak. Presidente egípcio deixou o governo nesta sexta-feira (11).

Do G1, em São Paulo
O anúncio da saída de Hosni Mubarak do governo egípcio seguiu um roteiro que tentou evitar a humilhação do presidente, avalia o embaixador do Brasil no país, Cesário Melantonio. "O que realmente se vê é uma estratégia de saída bem organizada, sem humilhação, sem que o orgulho saia ferido", disse ele, logo após a queda do líder, em entrevista à Globo News.
Veja o site da Globo News
"É claro que foi uma estratégia montada para que ele não precisasse admitir em público que deixaria o poder", disse Melantonio, que confirmou que o vice-presidente  egípcio Omar Suleiman também deixou o cargo.
Segundo o embaixador, cerca de 14 milhões de pessoas estavam nas ruas do Egito no momento em que o anúncio foi feito, pela televisão e o clima geral é "de júbilo". "Hoje pela primeira vez milhares de pessoas chegaram ao Palácio Presiedencial", disse. "Muitas saíram, essa semana, em cidades pequenas e médias do Egito, realmente estava se alastrando por todo o país".
Melantonio disse que os manifestantes, que protestaram por mais de 3 semanas, atingiram seu objetivo principal. "Agora vamos ter que analisar todo o processo, como será conduzido", disse ele, apontando que a relação dos ministros e da oposição ainda precisa ser acertada.
Ele ressalta a importância da economia para a definição da disputa de poderes no Egito. "A questão econômica estava se agravando", disse. O que levou os militares a deixarem sua posição de relativa neutralidade.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Em meio a rumores de renúncia no Egito, Mubarak irá falar nesta noite

Governo nega, povo celebra possível saída, e oposição teme golpe militar.

Do G1, com agências internacionais
O presidente do Egiro, Hosni Mubarak, vai falar à nação, de seu palácio no Cairo, na noite desta quinta-feira (10), disse a TV estatal.
Ele falaria às 21 locais (17h de Brasília), segundo a Sky News, mas ainda não havia confirmação oficial.
O discurso ocorrerá em meio a vários relatos, muitos contraditórios,  de que o contestado Mubarak iria renunciar, depois de 17 dias de fortes protestos de rua contra seu regime, que já dura 30 anos no país.
A TV estatal mostrou imagens de Mubarak, de 82 anos, reunido com seu vice-presidente, Omar Suleiman. Mas não estava claro se a transmissão era ao vivo.
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O alto comando das Forças Armadas estava reunido, também segundo imagens mostradas pela TV estatal.
De acordo com a rede Al Jazeera, é apenas a terceira vez na história que isso ocorre -as anteriores foram em 1967 e em 1973.
O Exército anunciou em um comunicado que começou a tomar medidas necessárias "para proteger a nação e para apoiar as legítimas demandas do povo".


Dezenas de milhares de manifestantes continuavam reunidos nesta quinta na Praça ahrir, que se tornou um símbolo dos protestos, exigindo a saída de Mubarak.
O ambiente é agitado e alegre entre os manifestantes depois do anúncio de que o exército nacional está tomando medidas para apoiar "as legítimas demandas do povo".
Cada vez mais gente chegava à praça depois do anúncio.
A oposição disse temer que um golpe militar esteja sendo tramado no país.
Mais cedo, o premiê do Egito, Ahmed Shafiq, disse à rede britânica BBC que Mubarak poderia renunciar e que a situação no país seria esclarecida em breve.

Manifestantes anti-Mubarak oram na Praã Tahrir, no Cairo, nesta quinta-feira (10) (Foto: Reuters)
Manifestantes anti-Mubarak oram na Praã Tahrir, no Cairo, nesta quinta-feira (10) (Foto: Reuters)

Mais tarde, na TV estatal, o recém-nomeado Shafiq disse que nada havia mudado no governo. "Nenhuma decisão foi tomada. Tudo está normal", disse. "Tudo ainda está nas mãos do presidente."
Hosam Badrawi, secretário-geral do partido governista, disse também à BBC que Mubarak poderia "responder aos pedidos do povo" por sua saída imediata. Ele disse que a saída, transmitindo o poder para o vice, seria "a coisa certa a fazer".
Sem citar fontes, a americana CNN afirmou que Mubarak poderia transferir seu poder de chefe militar ao Exército. A também americana NBC afirmou que o presidente deve renunciar ainda na noite desta quinta-feira.O Egito está quatro horas à frente do horário brasileiro de verão no fuso horário.

Manifestante comemora anúncio do Exército de que as 'demandas' do povo seriam atendidas, nesta quinta-feira (10), na Praça Tahrir, no Cairo (Foto: Reuters)
Manifestante comemora anúncio do Exército de que as 'demandas' do povo seriam atendidas, nesta quinta-feira (10), na Praça Tahrir, no Cairo (Foto: Reuters)
Uma fonte do ministério egípcio, que não se identificou, disse à agência Reuters que Mubarak "muito provavelmente" deve renunciar.
A CIA, principal agência de inteligência dos EUA, também trabalha com este cenário. Leon Panetta, chefe da agência, disse em audiência no Congresso dos EUA que a saída imediata seria significativa para uma "transição ordeira". Panetta disse não ter confirmação da renúncia, mas apenas "relatos".
Militar é beijado por manifestantes antigoverno nesta quinta-feira (10) na Praça Tahrir, no Cairo (Foto: AP)
Militar é beijado por manifestantes antigoverno nesta quinta-feira (10) na Praça Tahrir, no Cairo (Foto: AP)

A TV Al Arabiya disse que Mubarak iria anunciar "procedimentos constitucionais" antes de entregar o poder ao vice. A TV também afirmou que o Exército "agirá" se os manifestantes recusarem um plano para transferir o poder.
Mubarak teria viajado para Sharm el-Sheikh, resort às margens do Mar Vermelho onde tem residência, com seu chefe de gabinete, segundo a TV Al Arabiya. Ainda não houve confirmação oficial dessa informação.
O jornal britânico "Guardian" e a rede "Al Jazeera" disseram que o discurso que será televisionado nesta noite já teria sido gravado.
Mubarak, segundo os mesmos relatos, já teria saído de Sharm El-Sheikh.
O presidente mantém o poder e não irá renunciar, disse à Reuters o ministro da Informação do Egito. "O presidente ainda está no poder e não está renunciando", disse Anas el-Fekky. "O presidente não está renunciando e tudo o que ouviram são rumores da mídia."
Um membro da Irmandade Muçulmana disse temer que o Exército do Egito esteja tramando um golpe militar. "Parece um golpe militar... Estou preocupado e ansioso. O problema não é com o presidente, é com o regime.", disse Essam al-Erian à Reuters.
Pressionado

Mubarak enfrenta 17 dias de crescentes protestos de rua que pedem sua saída imediata do poder.

mapa do egito com dados (Foto: Editoria de Arte / G1)
Dados do Egito (Foto: Editoria de Arte / G1)

Apesar da crescente pressão interna e internacional contra o regime, Mubarak anunciou que só sairá do poder em setembro, para quando estão marcadas eleições. Ele disse temer que o país virasse um "caos" no caso de sua saída antecipada.
Uma negociação com a oposição começou no domingo (6), com o recém nomeado vice-presidente Omar Suleiman representando o governo.
Mas as concessões do regime, feitas a conta-gotas desde então, foram recebidas com ceticismo pelos diversos grupos envolvidos -incluindo a poderosa Irmandade Muçulmana-, e as conversas pouco avançam.
Os protestos deixaram pelo menos 300 mortos e 5.000 feridos no país, segundo levantamento das Nações Unidas. Ativistas denunciaram nesta quinta que o Exército teria cometido abusos contra ativistas presos.

Manifestantes protestam contra Mubarak nesta quinta-feira (10) na Praça Tahrir, no Cairo (Foto: AP)
Manifestantes protestam contra Mubarak nesta quinta-feira (10) na Praça Tahrir, no Cairo (Foto: AP)

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Crise no Egito e o impacto no Oriente Médio!

Debate com Arlene Clemesha (diretora do Centro de Estudos Árabes da USP) e Salem Nasser (professor de Direito Internacional da FGV-SP) apresentado por Tonico Ferreira no programa Entre Aspas da TV Globo News.

Programa exibido dia 01-Fev-2011 às 23h00 na TV Globo News, emissora da TV Rede Globo do Brasil.
Parte 01
Parte 02