"Tolerar a injustiça é relativamente aceitável, condenável é a intolerância da justiça". Leandro Francisco

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Como driblar a Lei Eleitoral

"Silas e Antônia são casados, mas foram eleitos por Estados diferentes. Eles colecionam problemas na Justiça!!!
A deputada federal estreante Antônia Lúcia e o deputado federal Silas Câmara, reeleito para o quarto mandato, têm muito em comum. Eles são evangélicos, líderes da Assembleia de Deus e filiados ao mesmo partido, o PSC. Casados, moram na mesma casa, em Manaus. A única diferença é que foram eleitos por Estados diferentes: ele pelo Amazonas, ela pelo Acre. O caso pode parecer estranho, mas é formalmente legal. Foi a maneira encontrada para driblar a lei. Se tivessem o título de eleitor no mesmo Estado, não poderiam ser candidatos ao mesmo cargo. Em Brasília, vão morar juntos, no apartamento funcional ocupado por Silas. Mesmo assim, ela não abriu mão do auxílio-moradia de R$ 2.500 por mês.
O truque do registro em outro Estado e a apropriação questionável dos R$ 2.500 são as dúvidas mais leves que pairam sobre o casal. Antônia responde a sete ações no Acre: compra de voto, falsidade ideológica, fraude processual, formação de quadrilha, peculato, uso de caixa dois e falso testemunho. Um pedido de prisão preventiva chegou a ser aprovado em 2010. Os desembargadores entenderam que ela tinha fornecido endereço falso para se livrar de intimações e atrasar processos. Entre eles está um em que é acusada de distribuir 1.200 litros de combustível numa carreata.
Silas não é menos enrolado. Ele foi investigado pela Polícia Federal (PF) a pedido da Justiça Eleitoral do Amazonas. Escutas desvendaram as peripécias do casal nas campanhas simultâneas. O caso mais grave foi em setembro, quando a PF prendeu Heber e Milena Câmara, filhos do casal que estavam com R$ 475 mil sem origem declarada. O Ministério Público diz que o dinheiro tinha sido enviado pelo marido, do Amazonas, para a campanha da mulher, no Acre. Seria gasto com a compra de votos e despesas de caixa dois.
As escutas mostram que Antônia e Silas se assustaram, mas não se intimidaram com a prisão dos filhos. Por telefone, ela deu a notícia ao marido: “Nossos dois filhos foram presos na PF”. Ele perguntou sobre a acusação. Resposta: “Não sei. Pode (ser o) dinheiro?”. Silas concluiu: “Pode. Estou orando que não seja”. A oração não funcionou. A prisão foi mesmo por causa do dinheiro.
Há dez anos, Silas é réu em um processo que corre em segredo no Supremo Tribunal Federal (STF). Em 2009, também foi denunciado por falsidade ideológica e uso de um RG falso em procurações e alterações de contratos sociais de uma empresa da qual era sócio. Se for condenado, perde o mandato e pode pegar até cinco anos de prisão.
Silas e Antônia têm quatro filhos. Os mais velhos dirigem a TV Boas Novas e uma rede de rádio no Amazonas e no Acre. É o maior conglomerado de comunicação evangélica do Norte, mas Silas e Antônia não constam como dirigentes. Segundo a PF, o casal usava as emissoras ilegalmente para fazer campanha. Silas cometeu outras ilegalidades que podem resultar em cassação. Entre elas, permitiu que a mulher usasse um celular da Câmara na campanha.
Questionado sobre as denúncias, o casal respondeu por meio de uma nota única, como se fosse uma entidade. Eles dizem que o dinheiro apreendido com os filhos não era deles. Sobre o processo no STF, Silas alega inocência. “As acusações têm origem em denúncias absolutamente improcedentes, maquinadas há mais de dez anos por adversário político com interesses paroquiais”, diz."



Site sueco divulga histórico policial de Assange, diz "The Times"

O site vazou informações sobre supostas agressões sexuais de Assange a duas mulheres, mas logo retirou do ar
 
Assange está na Inglaterra, mas a Suécia pede sua extradição
Os arquivos policiais confidenciais sobre as supostas agressões sexuais de Julian Assange, fundador do WikiLeaks, a duas mulheres na Suécia foram vazados por um site de sueco, segundo reportagem publicada neste sábado pelo britânico The Times. O site retirou a informação secreta do ar pouco após postá-la, mas o jornal britânico conseguiu guardar uma cópia.

O histórico divulgado incluía detalhes dos encontros de Assange com as duas mulheres, que o acusam de abuso, apesar do analista australiano ainda não ter sido acusado formalmente.

Assange, que está em liberdade condicional no Reino Unido, deve comparecer na segunda-feira diante de um tribunal londrino para prosseguir com seu processo de extradição a Suécia, país que o reivindica para interrogá-lo em relação aos supostos delitos.

O vazamento de seu histórico policial "foi calculado para prejudicar os interesses de Julian Assange", declarou ao Times o advogado do australiano, Mark Stephens, cujo escritório, Finers Stephens Innocent, investiga a origem do vazamento.

Os documentos, escritos em sueco, incluíam os depoimentos por escrito das denunciantes com declarações de seus amigos e fotos dos preservativos supostamente utilizados pelo processado.

Na audiência da segunda-feira, os advogados de Assange, que se declara inocente de qualquer acusação, argumentarão que os fatos não seriam puníveis no Reino Unido porque não há provas suficientes de que as mulheres não consentiram o ato sexual.

Alegarão que seu cliente enfrenta risco de pena de morte nos Estados Unidos se for extraditado para a Suécia, já que é provável que o país escandinavo ceda ao pedido de entrega por parte desse país, especialmente afetado pelos documentos publicados pelo portal WikiLeaks.

Segundo o Times, os defensores dirão que as autoridades suecas cometeram um abuso de processo ao emitir uma ordem europeia de detenção para simplesmente interrogar Assange por fatos que nem sequer foi acusado.

Liderança do partido do governo renuncia no Egito

Sai Gamal Mubarak, filho do presidente egípcio, e entra o liberal Hosam Badrawi como chefe de comitê e secretário-geral
 
O partido do governo do Egito, Partido Nacional Democrático (NDP), anunciou neste sábado a renúncia da liderança e a nomeação do senador Hosam Badrawi como novo secretário-geral e chefe do comitê político da legenda. Ele é considerado da ala liberal do partido e estava "escanteado" por conta de suas críticas ao governo nos últimos anos. Badrawi entra no lugar de Gamal Mubarak, filho do presidente egípcio, Hosni Mubarak, como chefe de comitê. Já como secretário-geral, Badrawi substitui Safwat al-Sherif, um dos políticos mais próximos ao presidente Mubarak. De acordo coma TV Al Arabiya, o presidente Hosni Mubarak também deixou o comando do partido, informação que não foi confirmada oficialmente.
Mais cedo, o primeiro-ministro egípcio, Ahmed Shafiq disse que as conversar com a oposição continuam, "apesar das diversas forças políticas com as quais se dialoga e de suas diferentes posições", mas expressou a disposição do Executivo de "falar com todos".
Na sexta-feira à noite, representantes da oposição egípcia reuniram-se com o primeiro-ministro, Ahmed Shafiq, para reiterar a necessidade de o presidente Hosni Mubarak renunciar. Abdel Rahman Youssef, representante da Assembleia Nacional para a Mudança (ANC, por sua sigla em inglês), liderada pelo Nobel da Paz Mohamed ElBaradei, declarou à Al Jazeera que foram apresentadas a Shafiq duas reivindicações principais: a renúncia do presidente e uma série de passos vinculados aos incidentes violentos dos últimos dias protagonizados por partidários do regime de Mubarak.

No poder desde 1981, Mubarak anunciou na terça-feira passada que não se apresentará como candidato presidencial para as eleições de setembro, e confirmou que se encarregará de dirigir uma transição que culmine em sua substituição.

"Achamos que sua saída tem que ser agora, seja deixando a Presidência ou saindo do país, ou delegando o poder ao vice-presidente, de acordo com a Constituição", disse o representante da oposição. "A partir dessa etapa começaríamos a negociar", acrescentou.

A oposição egípcia mostrou-se disposta a negociar com os militares e rejeitou qualquer oferta de diálogo proposta por Mubarak. No entanto, a reunião de sexta-feira à noite não contou com a participação da Irmandade Mulçumana, principal força opositora. Um de seus dirigentes, Gamal Nasser, afirmou que seu grupo "não participará de diálogo algum até que o regime atenda às reivindicações do povo". Ele também declarou que não foi informado sobre essa reunião com o primeiro-ministro anunciada pela ANC.

Os tesouros esquecidos do Palácio do Planalto

Uma valiosa coleção de quadros, móveis e esculturas foi encontrada abandonada em armários, depósitos e garagens da sede da Presidência
By Isabel Clemente em Época.
Quando a reforma do Palácio do Planalto ficou pronta, há cinco meses, uma comissão interna de especialistas saiu à procura das obras de arte espalhadas pela sede e pelos quatro anexos da Presidência. O objetivo era reunir o que de melhor havia para decorar os amplos corredores e salões vazios da sede do poder. Era um pedido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, incomodado com os quadros trancados em gabinetes, longe dos visitantes.
O que Lula não sabia, nem a comissão desconfiava, era da existência de uma valiosa coleção de quadros, esculturas e móveis abandonados em armários, depósitos e garagens. Dois quadros do pintor espanhol Joan Miró, avaliados em US$ 1,5 milhão cada um, apareceram assim. Um saiu de um depósito de suprimentos. O outro estava na parede de uma salinha ocupada por uma funcionária. Parecia tão improvável que foi preciso verificar a autenticidade da assinatura para ter certeza sobre o tesouro escondido.
Na garagem do Palácio do Jaburu, residência oficial do vice-presidente, foi encontrada uma tela do pintor e arquiteto Firmino Saldanha feita para a inauguração do Palácio do Planalto, em 1960. Da mesma forma, a obra Os músicos, de Glênio Bianchetti, pintor, ilustrador e tapeceiro gaúcho, voltou a formar o quinteto original depois que o quinto quadro foi encontrado num dos anexos da Presidência. Durante muito tempo, os quadros com quatro dos cinco “músicos” serviram de encosto para seguranças num corredor.
A garimpagem também encontrou três exemplares, de 5 x 5 metros, de tapetes Casa Caiada. São artigos feitos à mão, exportados para o mundo todo, que estavam empoeirados em um depósito. Móveis de jacarandá (madeira nobre ameaçada de extinção) dos nomes mais expressivos do design brasileiro estavam na mesma situação. Vendidas em Nova York na casa dos milhares de dólares, cadeiras, mesas e poltronas anos 60 de Sergio Rodrigues, Jorge Zalszupin e Oscar Niemeyer mais pareciam artigos imprestáveis, empilhados no depósito.
Ao recuperar os móveis, a intenção da comissão de curadoria era recobrar o clima da inauguração do Palácio. Como muitos móveis originais tinham sido doados ao longo dos anos, a comissão não encontrou, porém, peças suficientes para decorar todo o Palácio. Foi preciso encomendar novas peças a Sergio Rodrigues, que ainda fabrica suas criações anos 60, e vasculhar depósitos do Congresso Nacional. No Senado, foram encontradas cadeiras e mesas prestes a ser leiloadas por uma bagatela. O diretor de Documentação Histórica do Planalto, Cláudio Soares Rocha, foi pessoalmente pedir ao presidente do Congresso, José Sarney, que suspendesse a oferta pública. Saiu de lá com 400 exemplares para restauração. Agora, os ministros que despacham no Planalto usam genuínas mesas de jacarandá assinadas por Zalszupin, cotadas a US$ 29 mil a unidade (R$ 48.400)
Telas, esculturas e tapetes reunidos e recuperados passaram a compor uma inédita exposição permanente nas áreas comuns do Palácio. O corredor que leva ao gabinete da presidenta da República virou uma colorida vitrine de artistas contemporâneos de primeira linha. As telas “estrangeiras” ganharam um ambiente à parte, porque a ideia era valorizar a arte nacional. “Resgatamos a brasilidade deste Palácio. Além do mais, uma obra de arte não pode servir para o deleite de uma pessoa só. Todos têm de ver”, diz o diretor Cláudio Rocha.
O acervo do Planalto cresceu tanto que um dos desafios da Presidência agora é readaptar as visitas abertas ao público, aos domingos, para incluir a história das obras de arte. Parte desse enredo, no entanto, seguirá como um mistério. Como os presentes recebidos pelos presidentes durante o exercício do mandato são levados por eles, ninguém sabe até agora como os quadros de Miró chegaram ao Planalto. O Instituto Manabu Mabe suspeita que a tela do pintor nipo-brasileiro exposta na sala de audiências da Presidência tenha sido um presente do próprio pintor (morto em 1997) ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Algumas obras nacionais importantes, como quadros de Djanira e Di Cavalcanti, vieram da massa falida do antigo estaleiro Lloyds, nos anos 90. Mas outras também têm origem desconhecida. É o caso de A Pietá, de Mário Mendonça, artista brasileiro de arte sacra moderna, que agora está no gabinete da presidenta Dilma Rousseff, a pedido dela. A Pietá, que antes enfeitava uma saleta de um funcionário, se juntou a duas telas da pintora e desenhista Djanira. Empolgada com a recuperação do acervo cultural do Planalto, Dilma expôs a assessores a vontade de ver a capital com exposições itinerantes, usando acervos de outros órgãos federais. É até possível imaginar que esse desejo se transforme no embrião de novas garimpagens nas diversas outras repartições do poder em Brasília. Não será surpresa se outros tesouros forem descoberto.

100 anos de Ronald Reagan!

Washington, 05 de fevereiro:


Ronald Reagan era a face política da década de 1980, mas o líder republicano, que cumpriu dois mandatos, como presidente dos EUA durante essa década, foi tanto um ídolo dos conservadores como, um inimigo dos liberais. Este domingo milhões de americanos irão sintonizar para assistir o Super Bowl - um ponto alto no mundo do desporto para decidir a equipe campeã no futebol americano profissional. Mas, antes de o jogo começar, eles se lembrarão de Reagan, que teria sido de 100 anos neste dia.
Sua vida será apresentada em vídeo: uma homenagem, um tributo que parece indicar que, no momento atual de turbulência, Reagan é mais amado do que nunca, e, portanto, merecedor do maior apreço que o país fanático por esportes pode sonhar.
Trinta anos depois de tomar posse e mais de seis anos após sua morte, Ronald Reagan tem sua imagem recapturada na imaginação do povo americano. As livrarias exibem a sua biografia em destaque, as universidades oferecem uma série de palestras sobre a política de Reagan, e seus seguidores em todo o país estão planejando festas para comemorar seu aniversário.
Um em cada três cidadãos dos EUA chamam Reagan de "historically outstanding president”, ou seja, um presidente que marcou historicamente. Dada a forma como ele viveu a sua vida, não é surpresa que Reagan tenha sido capaz de adicionar à sua popularidade, mesmo após a morte.
Ele nasceu em 1911, em Tampico, Illinois, uma cidade de cerca de 180 km a oeste de Chicago. O filho de um vendedor de sapatos e uma mãe devotadamente cristã, Reagan buscou e sempre encontrou um caminho para o topo.
Como um estudante de faculdade, ele foi eleito presidente do grêmio estudantil. Depois de se tornar um ator, ele foi eleito presidente do "Screen Actors Guild de Hollywood", e como político, ele serviu dois mandatos como governador da Califórnia, antes de ser eleito presidente dos EUA.
Ele teve que trabalhar para seus sucessos, como por exemplo, lavar louças, para pagar sua faculdade. Após a graduação, ele ganhou destaque no Centro-Oeste os EUA como uma emissora de rádio de esportes, o que levou a sua carreira como ator de cinema e de fama nacional.
Em seus 50 anos, ele decidiu entrar na política e, finalmente, ganhou a presidência com 69 anos, em 1980, depois de duas tentativas frustradas de vencer a indicação de seu partido.
Na eleição presidencial de 1980, muitos eleitores fizeram uma questão de sua idade. O que as pessoas se lembram é da popularidade de Reagan, e do otimismo que deu ao país, depois de muitos anos de crises desmoralizantes, incluindo a Guerra do Vietnã, o escândalo Watergate e a crise dos reféns do Irã.
Também me lembro de sua contribuição para o colapso do império soviético.
James Baker III, chefe da equipe de Reagan e secretário do Tesouro, lembra que Reagan restaurou o orgulho de América.
Ronald Reagan restaurou o orgulho do país, e a confiança dos norte-americanos.
Mesmo presidente dos EUA, Barack Obama, um democrata, tomou recentemente uma biografia do presidente republicano ao longo de suas férias. "Não importa o que divergências políticas que possa ter tido com o Presidente Reagan - e eu certamente tive minha parte - não há como negar a sua liderança no mundo", disse Obama.
Mas os pontos mais baixos desta Presidência não foram esquecidos. O caso "Iran-Contra" trouxe dias escuros e suspeitos. Reagan estava no escritório quando os EUA entregou secretamente armas ao Irã e transferiu a "louros" da direita,  para os rebeldes na Nicarágua.
Reagan sempre negou ter conhecimento sobre o assunto, o que deixou os críticos perguntando preocupadamente que realmente chamou tiro na Casa Branca - Reagan e seus assessores.
Reagan também continua a ser um inimigo do Partido Democrático, porque o vêem como tendo sido um coveiro do estado social.
Os republicanos, por outro lado, reverenciam mais do nunca a sua memória.
Alguns especialistas dizem que Reagan não teria chances com o atual Partido Republicano, como por exemplo, o  estrategista político Mark McKinnon, que disse: "Eu duvido que Reagan pudesse ser eleito hoje".
Reagan, que preferiu passar as noites na Casa Branca, em frente à televisão de pijama com sua esposa Nancy, encontrou seu lugar na história como um homem que representava uma economia saudável e valores familiares.
Reagan morreu aos 93 anos de idade, 5 de junho de 2004 em sua casa na Califórnia, após uma longa luta com a doença de Alzheimer, tendo passado seus últimos anos quase completamente fora dos olhos do público.
Quando morreu, milhares esperaram durante horas para prestar-lhe homenagem no Capitólio dos EUA e em sua biblioteca presidencial na Califórnia.
Muitos se lembram de sua eloqüente carta em 1994, aos norte-americanos, explicando que tinha sido diagnosticado com a doença debilitante. Nela, ele disse que tinha começado "a jornada que vai me levar para o pôr do sol da minha vida".

By Sombra

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

REPETITIVO. PRESCRIÇÃO. TAXA. OCUPAÇÃO. TERRENO. MARINHA.


Trata-se de recurso repetitivo (art. 543-C do CPC e Res. n. 8/2008-STJ) em que o cerne da questão é definir o prazo prescricional para a cobrança da taxa de ocupação dos terrenos de marinha. A Seção deu provimento ao recurso, reiterando que o prazo prescricional para a cobrança dessa taxa é de cinco anos, independentemente do período considerado, visto que os débitos posteriores a 1998 se submetem ao prazo quinquenal, conforme dispõe a Lei n. 9.636/1998, e os débitos anteriores à citada lei, em face da ausência de previsão normativa específica, subsumem-se ao prazo do art. 1º do Dec. n. 20.910/1932. Precedentes citados: EREsp 961.064-CE, DJe 31/8/2009; AgRg no REsp 944.126-RS, DJe 22/2/2010; AgRg no REsp 1.035.822-RS, DJe 18/2/2010; REsp 1.044.105-PE, DJe 14/9/2009, e REsp 1.063.274-PE, DJe 4/8/2009. REsp 1.133.696-PE, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 13/12/2010.

Fonte: STJ

EXECUÇÃO PROVISÓRIA. MULTA. ART. 475-J DO CPC.

Decisão do STJ - Compete à Justiça do Trabalho julgar ação de servidor público contratado por ente público de direito privado

Compete à Justiça do Trabalho julgar ação de servidor público contratado por ente público de direito privado
A Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar as reclamações trabalhistas propostas por servidores de sociedade de economia mista municipal que adota como regime jurídico as regras da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). O entendimento é do ministro Mauro Campbell Marques, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ao declarar competente a 6ª Vara do Trabalho de Nova Iguaçu (RJ) para processar e julgar a ação proposta pela servidora Ilza Maria Silva da Rosa contra a Companhia de Desenvolvimento de Nova Iguaçu (Codeni).

No caso, a Justiça Trabalhista, por entender que a relação entre a Administração Pública e seus servidores é sempre jurídico-administrativa, mesmo nos casos de contratação sob o regime celetista, declinou da competência e remeteu o processo ao Juízo de Direito da 1ª Vara Cível de Nova Iguaçu. O juízo comum, por sua vez, suscitou o conflito de competência com fundamento no artigo 114, I, da Constituição Federal (CF), que atrai a competência da Justiça laboral.

Em sua decisão, o ministro Mauro Campbell Marques destacou que, efetivamente, a Adin 3395-6 suspendeu, em parte, a eficácia do inciso I do artigo 114 da CF, que atribuía à Justiça do Trabalho competência para processar e julgar ações envolvendo entidades de direito público e seus respectivos servidores.

Entretanto, afirmou o ministro, no caso em questão, não se conclui pela existência de vínculo jurídico-administrativo, pois as empresas constituídas sob a forma de sociedade de economia mista são regidas sob a forma de direito privado.

“A reclamante [Ilza Maria] foi contratada por tempo indeterminado sob o regime da CLT, e, sendo a Codeni sociedade de economia mista com destinação econômica, depreende-se que a competência para processar e julgar o feito é da Justiça laboral”, concluiu o ministro relator.

Fonte: STJ. Coordenadoria de Editoria e Imprensa

Livro: As falhas ocultas de 12 grandes filósofos

Aristóteles apoiou o imperialismo cruel de Alexandre, o Grande (Fonte: AKG)

Esse artigo é bem interessante. Versa sobre a obra de James Miller mostrando as dificuldades de pensadores de aplicar suas ideias às suas vidas.
"‘A vida não examinada não vale a pena ser vivida’, teria dito Sócrates ao júri em seu julgamento. Ele deixou de mencionar que a vida examinada nem sempre é tão maravilhosa assim. Em 11 retratos biográficos de pensadores que tentaram seguir os passos do famoso pensador grego, e um dedicado ao próprio Sócrates, James Miller explora em seu livro “Examined Lives: From Socrates to Nietzsche” (“Vidas Examinadas: De Sócrates a Nietzsche”), o que significa seguir o chamado filosófico. Muitos problemas e incertezas parecem ser a resposta, e ele descobre que alguns dos mais famosos filósofos na verdade não eram assim tão admiráveis ou convincentes. Então é possível dizer que a filosofia é capaz de inspirar um estilo de vida? Essa é a pergunta levantada por Miller, que ensina política e estudos liberais na New School for Social Research em Nova York.
Felizmente, Miller não se concentra tanto em sua pergunta. Qualquer tentativa de descobrir uma moral abrangente com base nas vidas que ele examina teria distorcido as histórias que ele tem a contar. O que Miller nos oferece ao invés disso é uma vívida coleção de contos filosóficos que são notáveis por seu bom senso no uso de fontes, incluindo raros trabalhos de início de carreira. O resultado é um tratamento animado de assuntos que costumam ser servidos de maneira morna. Mesmo Immanuel Kant, cujos escritos foram descritos por Heinrich Heine, um poeta, como tendo “o estilo seco e acinzentado de uma sacola de papel”, emerge como uma figura bastante humana.
Se alguém quisesse compilar uma lista de acusações contra os grandes filósofos, para mostrar que eles não tinham capacidade de comandar suas próprias vidas, quanto menos inspirar outros, esse livro forneceria evidências bastante úteis. Lá estão as desastrosas negociações de Platão com o jovem Dionísio, o tirano de Siracusa, e a bajulação hipócrita de Sêneca em relação a Nero. Há relatos do apoio de Aristóteles ao imperialismo cruel de Alexandre, o Grande, que vai de encontro às ideias políticas pregadas pelo filósofo. Rousseau, que defendia a educação, abandonou seus cinco filhos, frutos de um relacionamento com uma amante de longa data, e deu desculpas patéticas para justificar seu comportamento (ele estava muito doente e pobre para ser um bom pai, e os orfanatos não eram lugares tão ruins assim para crescer).
Santo Agostinho se voltou contra o espírito do questionamento intelectual depois de ter descoberto a salvação, e sua censura dogmática criou a base para séculos de tirania intelectual por parte da Igreja Católica. Montaigne era um mestre das sugestões inconclusivas e da autocontradição. O pensamento de um místico-orador, Ralph Waldo Emerson, um admirador de Montaigne, era desconectado de evidências empíricas ou argumentos lógicos. A concepção de moral de Kant, uma rígida aderência a princípios severos surge, de certa forma, como um remédio para sua própria hipocondria. Nietzsche confessou em 1880, que sua existência era “um fardo temeroso”, embora ele estivesse, ao menos, mais feliz que antes, devido aos progressos em sua obra.
Falhas ocultas, sem dúvida; mas Miller não reprime seus filósofos à toa. A maioria deles estava, no fim das contas, cientes de suas deficiências, e não se apresentaram como profetas ou santos (exceto por Nietzsche em seus momentos de loucura). No fim de sua vida, Rousseau reconheceu que o famoso conselho do oráculo de Delfos, “Conhece-te a ti mesmo” não era tão simples de ser seguido como ele imaginava. Ele concluiu, de maneira arrependida, que era “arrogante e imprudente” de sua parte, professar virtudes que não podem ser alcançadas, e se retraiu em uma reclusão indolente.
Se Miller tivesse incluído o alegre e admirável David Hume e outras almas menos atormentadas em seus retratos, sua galeria de filósofos poderia ter um resultado final mais brilhante. Mas a conclusão em seu epílogo é provavelmente correta: o auto-exame filosófico não é uma fonte confiável de felicidade ou senso comum político. Ainda assim, existem vários filósofos, entre eles Aristóteles, que encaram a busca pela compreensão como o fim de sua jornada, não como um caminho para a alegria ou o sucesso. No fim das contas, como muitos daqueles que mergulharam na filosofia sabem, filósofos filosofam, em boa parte, porque não podem resolver os problemas."

 
Andrei Netto, de O Estado de S.Paulo
PARIS - Uma suposta fraude nas procurações assinadas pelo ex-ativista Cesare Battisti estaria por trás de sua condenação à prisão perpétua pela Justiça da Itália. A acusação é feita pela historiadora, arqueóloga e escritora francesa Fred Vargas com base em documentos do processo, coletados ao longo dos últimos dez anos. Segundo ela, três procurações teriam sido fabricadas durante o autoexílio de Battisti para permitir que ele fosse representado em seus julgamentos.
O Estado teve acesso aos documentos. Segundo a denúncia da escritora, Battisti teria deixado ao ex-companheiro de guerrilha Pietro Mutti, líder do grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), folhas em branco assinadas em outubro de 1981 para serem usadas na eventualidade de um processo judicial. Esses papéis, de acordo com a escritora, teriam sido usados pelo procurador do caso, Armando Spataro, e pelos ex-advogados de Battisti, Guiseppe Pelazza e Gabrieli Fuga, para forjar procurações que viriam a ser usadas nos julgamentos, em 1982 e em 1990.
Para supostamente fraudar os documentos, os três teriam usado uma procuração anterior, escrita de próprio punho por Battisti em 1979 e reconhecida como legítima por todas as partes. Com base nas três novas procurações, o ex-guerrilheiro pôde ser levado a julgamento. Pela legislação italiana, um preso pode ser julgado, mesmo em sua ausência, desde que tenha nomeado representantes legais. Nessa época, conforme Fred Vargas, Battisti vivia no México, sem contato com familiares e amigos na Europa e não sabia dos julgamentos na Itália.
Coincidência
Nas cópias dos documentos obtidas pela escritora - célebre na França por seus romances policiais -, Battisti dá direitos a Pelazza e a Fuga para representá-lo. O que surpreende é a semelhança dos textos e das letras. Em oito linhas, sempre terminadas pelas mesmas palavras, as cartas mostram termos e escritas quase idênticas, apenas com espaços maiores ou menores. A sobreposição dos documentos mostra palavras em posições distintas, mas grafias que, segundo Fred Vargas, foram copiadas uma a uma no intuito de simular a letra de Battisti.
Contratada pela escritora, a grafologista Evelyne Marganne, perita do Tribunal de Recursos de Paris, analisou as assinaturas de Battisti nos documentos e também levantou dúvidas sobre a autenticidade dos documentos. Segundo seu laudo, a mesma pessoa assinou todos os documentos, mas os números das datas que constam nas cartas não são originais. "Sobrepondo os dois documentos e observando-os contra a luz, qualquer pessoa vê que são o mesmo documento. Seria até divertido, se não fosse grave", diz Fred Vargas. Além disso, as assinaturas seriam autênticas, mas feitas no mesmo momento, e não com o intervalo de oito anos. Ao Estado, Evelyne não quis fazer avaliações sobre a autenticidade dos textos.
Armando Spataro, hoje coordenador de Contraterrorismo em Milão, negou as acusações de Fred Vargas. "São absolutamente falsas. É uma história antiga que surge de tempos em tempos, sempre que aparecem discussões públicas sobre Battisti." Guiseppe Pelazza não respondeu aos pedidos de entrevistas.